Meu Avô e sua arte
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Da
orelha do livro extrai-se o seguinte texto: |
| Do
Prefácio, escrito pela pena mágica de Vírginius da
Gama e Melo, temos essas valorosas passagens:
“Depois da “História do Teatro da
Paraíba”, Walfredo Rodrigues apresenta novo livro, este “Roteiro
Sentimental de Uma Cidade” . O exercício, por longo tempo,
da direção do Teatro Santa Rosa, além de suas qualidades
de estudioso e conhecedor profundo da arte cênica, inclusive sua
história, fizeram do seu primeiro livro uma obra essencial para
o estudo do desenvolvimento do teatro no Brasil. Ainda agora, a Biblioteca
do Congresso de Washington, incorporou ao seu notável acervo a
obra inicial de Walfredo Rodriguez. É ainda em virtude desse caráter
de historiador consciencioso e otimamente documentado, que escreve e organiza
o “Roteiro Sentimental”.
... ... ... ... Walfredo Rodriguez, há muitos anos, se dedica ao levantamento histórico da cidade de João Pessoa. Manteve coluna quase diária, nos jornais da terra, relatando curiosidades, fatos pitorescos, tudo aquilo que a historia mais ou menos oficial obscurecia. Anos seguidos, num labor paciente, recolheu desenhos antigos, fotografou também aquilo que o tempo conseguiria fazer desaparecer. Seu acervo, nesse ramo, é notável e grande parte faz complemento ao texto do atual volume, através de ilustrações que revivem fatos, coisas, pessoas. ... ... ... ... Os poetas viram o que Walfredo Rodriguez traduz em prosa, depois de muito ter pesquisado e vivido. Além de documento, este “Roteiro Sentimental” valoriza-se pela presença comovida de sua saudade e, dele,parafraseando e completando,pode dizer-se que, quem o toca, não está somente tocando um homem, mas também uma cidade, aqui palpitante. João Pessoa, novembro de 1961.” Capítulo
primeiro |
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![]() Publicado pela A UNIÃO, em 05-06-1986. |
Da orelha do livro, belissimamente escrita por Waldemar
Duarte, extrai-se o seguinte texto:
“EVOCANDO
WALFREDO RODRIGUEZ |
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Na qualidade
de neto de Walfredo Rodriguez, tive a oportunidade de destacar naquela
auspiciosa Semana Cultural de 20 a 24/agosto/1984: |
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Relembrando
do meu avô |
Do meu livro de crônicas “Palavras Dançarinas”, lançado em 28.11.2007, destaco os seguintes textos em que falo do meu avô:
Decidi
abandonar a força que faço para não revelar meus
sentimentos saudosistas. Hoje estou às escâncaras. Quero
chorar todas as minhas saudades. Como se o passado quisesse virar o presente
e esquecer que o futuro existe. Dizem que reviver o passado é chorar
duas vezes. Hoje prefiro chorar mil e uma vezes.
Atualmente,
caminho pelo calçadão de piso tortuoso, esburacado, mas
não deixo de evocar na memória esses tempos de saudades
da velha Tambaú. Do bom tempo do me avô Walfredo, guardião-mor
das relíquias históricas de nossa cidade; do meu pai José
de Nazereth, pescador por opção, bancário por necessidade;
ambos boêmios, mas de uma boemia diametralmente opostas. O meu avô,
pai do meu pai, boêmio das indormidas noites a fio de pesquisas,
na quietude do quarto caiado de amarelo da sua casa, recortando artigos
de jornais e escrevendo a história de João pessoa. O meu
pai, boêmio das noites dos drinks entorpecedores da alma, na inquietude
natural dos bares da vida, escrevendo, a seu modo, os poemas de quem tanto
ama a vida. De comum? Ambos amavam a cidade. Essa
manhã, tomado de uma súbita nostalgia, resolvi fazer, dentro
de mim, um pouco do passeio retrospectivo de que tão bem fala o
meu avô, no seu “Roteiro Sentimental de Uma Cidade”,
editora brasiliense, pag. 47, ano 1962: “Venha moço, vamos
fazer um passeio. Deixe que ajudado pela memória, lhe mostre algo
do passado da nossa cidade. Vamos recuar muitos anos. Não é
a João Pessoa da atualidade não; essa você bem a conhece,
com o seu progresso, defeitos e irreverências...” E, assim,
Tambaú dorme e desperta no meu coração e na minha
alma...” |